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Nos trilhos da história

Estação Argemiro Dornelles

As marcas deixadas pela Ferrovia na Região da CERTAJA

Os trens deixaram de circular na região em 2024, porém os trilhos e as construções históricas permanecem em estado de abandono.

As locomotivas, vagões e trilhos de trem fazem parte não só da história como também do imaginário popular. Por muitas décadas, foram uma das principais vias de transporte de carga e passageiros do país, e as ferrovias modificaram a paisagem com suas obras e estruturas. Pontes, túneis, viadutos, antigas estações e passageiros e trilhos construídos em grandes obras de engenharia estão presentes no nosso dia a dia. Muitas vezes, essas obras passam despercebidas entre as árvores e plantas que crescem devido ao abandono.

Algumas estações foram transformadas em casas de moradia e outras foram “adotadas” pelo poder público ou pela comunidade. Muitas foram transformadas em espaços culturais, como é o caso da Estação de Montenegro. A beleza da arquitetura dos prédios e a restauração realizada dão ao visitante a impressão de que o trem chegará a qualquer instante.

Ponte histórica

Ponte do Barreto

Uma das obras mais icônicas é a ponte ferroviária da localidade de Barreto, em Triunfo. Quem faz a travessia na balsa que liga General Câmara a Triunfo tem uma vista privilegiada da grande estrutura de metal construída em meados de 1910.

Os registros históricos dão conta de que, antes da construção desta ponte, a viagem de Porto Alegre até Uruguaiana deveria ser feita de navio até o distrito de Santo Amaro, de onde partia uma “Maria Fumaça” com rumo às cidades e locomotivas a vapor, por via terrestre até a fronteira.

Embora a ponte do Barreto tenha sido um grande desafio aos engenheiros da época devido aos equipamentos disponíveis e ao rio largo e profundo como o Rio Taquari para cruzar, a obra cumpriu seu papel e até hoje enche os olhos de quem passa no local.

Túneis ferroviários

Túnel ferroviário de Paverama

Já na cidade de Paverama, um túnel ferroviário de aproximadamente 650 metros escavado diretamente na rocha também atrai turistas e curiosos da região.

A linha férrea que passa pelo município era conhecida como “Ferrovia do Trigo”, construída na década de 1970 para facilitar o escoamento da produção agrícola do estado.

Esta ferrovia partia de Passo Fundo, passando por pontos turísticos como o Viaduto 13, em Vespasiano Corrêa, e a ponte Rodoferroviária de Muçum, finalizando no entroncamento da Estação General Luz, em Triunfo.

Antigas estações

Entrada da estação de Montenegro

Estão presentes ao longo dos trilhos as antigas estações férreas, que eram pontos de embarque de passageiros.

A grande maioria das estações está em pleno abandono, com telhados e paredes ruindo, além de sofrerem com o vandalismo.

Paixão pela ferrovia

Morador da cidade de General Câmara e barbeiro, Rodrigo Sehn é um apaixonado pela história dos trens. Ele conta que quando criança frequentava a antiga Estação Aregemiro Dornelles, onde brincava e apanhava frutas.

Rodrigo Sehn
Rodrigo Sehn

Com o fechamento da estação na década de 1990, Rodrigo e um grupo de amigos iniciaram uma mobilização na comunidade para revitalizar o prédio e transformá-lo em um espaço cultural.

“A comunidade abraçou a ideia e cada um colaborou com o que podia. Alguns com um valor em dinheiro e outros com materiais ou mão de obra”, conta Rodrigo.

Atualmente o espaço conta com objetos e móveis antigos da ferrovia, sendo aberto aos domingos para visitação ou mediante agendamento.

Rodrigo conta que, após os enchentes de 2024, os trens já não passam pela ferrovia. Segundo ele, a força das águas retorceu trilhos próximos à ponte do Barreto e em outras localidades.

Devido ao alto custo para a restauração, a atual concessionária decidiu não mais utilizar a malha ferroviária no RS.

Os trens não fazem mais parte do cotidiano gaúcho, mas os trilhos e as obras trazem o saudosismo de uma época de ouro. Muitos que viveram esta fase alimentam a esperança de um dia voltarem a ouvir o apito do trem e acordar pela região.

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